A relação da quantidade de proteína com a saciedade

Um estudo publicado na revista científica Obesity concluiu que homens obesos ou com excesso de peso sentiram uma redução na fome durante o processo de emagrecimento, ao consumirem entre 18% a 35% de proteínas. A conclusão é que refeições ricas em proteínas aumentariam a sensação de saciedade ao longo do dia. Este trabalho compara esta com outras dietas com consumo de alimentos proteicos em quantidades consideradas normais.

Comer menos refeições por dia com maiores quantidades de proteína pode oferecer mais saciedade do que comer refeições menores e mais frequentes. “O nosso conselho para quem está a tentar perder peso é adicionar uma quantidade moderada de proteínas nas três refeições regulares do dia para ajudar a controlar o apetite e a sensação de satisfação”, afirmou o investigador Wayne W. Campbell.

Para o estudo, os responsáveis recrutaram apenas homens pois eles tendem a comer mais carne e são estudados com menos frequência do que as mulheres. Vinte e sete homens com excesso de peso foram divididos num grupo de alto consumo de proteínas e num grupo de consumo normal de proteínas, consumindo todos uma dieta de restrição calórica durante 12 semanas – 750 calorias a menos do que sua dieta normal – uma média de cerca de 2.400 calorias por pessoa. A dieta de proteína normal era composto de 14 % da energia proveniente de proteínas, 60 % de hidratos de carbono e 26 % de gordura, e a dieta de alta proteína teve a mesma quantidade de gordura, mas 25 % da energia proveniente de proteínas e 49 % de carboidratos.

Resultados do estudo também demostraram que homens que comeram menos refeições por dia com maiores quantidades de proteína magra apresentaram uma taxa maior de saciedade do que os homens que comeram a dieta com níveis normais de proteínas.”Embora tenhamos descoberto que a fome, o desejo de comer e a preocupação com pensamentos sobre comida diários não foram diferentes entre os homens das duas dietas, o grupo que ingeriu maior quantidade de proteína experimentou maior satisfação durante o dia”, afirmou a responsável do estudo, Heather J. Leidy.

Parece que fontes de proteína vegetal continuam a ser desprezadas não só pelo público em geral como também pela ciência, quando tradicionalmente são várias as civilizações a depender maioritariamente delas, e creio que foi precisamente o afastamento das dietas tradicionais que nos trouxe onde nos encontramos hoje. O factor saciedade será de facto importante na quantidade de alimentos ingeridos, e esta pode derivar da quantidade de proteína ingerida, mas alimentos como as leguminosas podem também ser uma óptima fonte de proteína. Acima de tudo, questiono não só as fontes de hidratos de carbono neste tipo de dietas, mas sobretudo a necessidade que a generalidade das pessoas tenha de ingerir ainda mais proteína animal.

O vídeo que a Coca-Cola e o McDonalds preferiam que ninguém visse

Anna Lappe é uma autora best-seller  e um dos principais fundadores do Small Planet Institute. O seu livro mais recente “Diet for a hot planet”tendo também sido co-autora de Hope Edge, que narra a luta dos movimentos sociais contra a fome em todo o mundo. Actualmente é diretora do Food Real Media Project, uma nova série de vídeos sobre a verdadeira história da nossa comida.

Não sei se realmente mais uma perspectiva sobre o assunto alterará profundamente alguma coisa, mas pelo menos há que por o dedo na ferida.

A microflora, a teoria da higiene e as alergias

As evidências favoráveis à teoria da higiene (higienização extrema como potenciador da incidência de alergias nas sociedades industrializadas) continuam a sugir, neste caso um estudo aponta que microrganismos benéficos são eliminados pelos produtos antibacterianos utilizados na limpeza das habitações.

Uma outra conclusão desta investigação foi que as bactérias que habitam o tracto gastrointestinal, e que são essenciais para o bom funcionamento do sistema imune, evoluíram com os seres humanos e são específicas dessa espécie. Dois grupos de ratinhos sem flora microbiana foram utilizados, e a um deles foram introduzidos microrganismos comuns aos animais, enquanto que o segundo foi colonizado com microrganismos habituais no organismo humano. Ainda que a quantidade e diversidade de espécies microbianas ser idêntica em ambos os grupos, os colonizados com os microrganismos provenientes dos humanos apresentavam uma menor quantidade de células imunes, sendo incapazes de se defenderem contra uma infeção por Salmonela.

A questão que agora se coloca é se a sobre-higienização a que estamos expostos diariamente, e isto inclui o uso de antibióticos, não estará a ser responsável pela perda de bactérias vitais que evoluiram connosco. E este facto não só poderá explicar o aumento de alergias e doenças autoimunes, como também ser responsável por alterações evolucionárias na espécie humana.

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Que distância e durante quanto tempo é necessária actividade física para compensar a ingestão de alimentos hiper-calóricos?

Nova Iorque surge com uma nova medida para reduzir o consumo de refrigerantes e outros alimentos processados. Desta vez a ideia são cartazes de sensibilização pública que mostram o número de milhas que uma pessoa teria de andar para queimar as calorias de um refrigerante, já que uma nova pesquisa sugere que a actividade física baseada em conversões como esta pode realmente convencer as pessoas a fazer mais saudável escolhas.

O responsável pela investigação, Anthony Viera da Universidade da Carolina do Norte (UNC) em Chapel Hill School of Medicine afirma que “Isso exige um cálculo que muitas pessoas podem não achar fácil de fazer no momento da decisão”, assim foi conduzida uma pesquisa online com 802 indivíduos, aos quais foram aleatoriamente apresentados um dos quatro menus hipotéticos. Um dos menus fornecidos conta apenas calorias, outro complementa essas informações com o número de minutos que seria necessário caminhar para queimar as calorias, enquanto que o terceiro menu mostrou números de calorias e a distância necessária para andar com eles. O outro menu não continha quaisquer dados nutricionais. Toda a rotulagem da actividade física  foi baseada no gasto energético de um adulto a um ritmo de 30 minutos por milha, assim um “hambúrguer regular” foi,listado como contendo 250 calorias, o equivalente a caminhar 2,6 milhas, ou 78 minutos.

Aqueles que viram o menu sem informação nutricional pediram uma refeição, em média com um total de 1.020 calorias, significativamente mais do que a média de 826 calorias que viram menus que incluíam informações sobre distância de caminhada. Os restantes participantes do estudo encomendaram refeições com médias de 927 calorias e 916 calorias a partir de menus com informações de calorias ou apenas informações de calorias mais minutos a pé, respectivamente.

Ainda que uma diferença de 200 ou mesmo 100 calorias possa não parecer grande, um estudo de 2011 que incluiu cientistas do Instituto Nacional de Saúde Norte Americano calculou que comer apenas 10 calorias a menos por dia poderia fazer uma pessoa perder um quilo de peso ao longo de três anos.

Uma dieta rica em antioxidantes pode diminuir o risco do cancro do pâncreas

Um novo estudo da University of East Anglia, no Reino Unido sugere que manter uma dieta rica em antioxidantes, como selénio e vitaminas C e E pode ajudar reduzir até dois terços o risco de cancro do pâncreas.

Foram analisadas mais de 23.500 pessoas com idades entre 40 e 74 anos. Durante uma semana, cada participante manteve um diário alimentar detalhado com os pratos ingeridos, as quantidades e o método de preparação de cada alimento que comeram. Após 10 anos, 49 participantes tinham sido diagnosticados com cancro do pâncreas. Passados mais sete anos, o número de diagnósticos aumentou para 86. Em média, os pacientes sobreviveram seis meses após o diagnóstico.

Analisando os dados concluiu-se que pessoas com maior ingestão de selénio demonstravam metade das hipóteses de desenvolver cancro do pâncreas relativamente aos que tinham menor hábito de consumo. Já as pessoas que consumiram selénio e vitaminas C e E foram de 67% menos propensas a desenvolver o mesmo tipo de cancro.

Já enteriormente, algumas investigações mostraram que a ingestão destes antioxidantes por meio da alimentação faz com que os nutrientes se comportem de maneira diferente, trazendo mais benefícios do que os suplementos alimentares, ainda que os resultados possam sugerir apenas uma associação, não sendo possível estabelecer uma relação de causa e efeito, não será certamente necessárias evidências centifícas sobre os benefícios duma alimentação dentro da zona de equilíbrio.

Entre os fatores de risco no cancro do pâncreas, destacam-se principalmente o uso de derivados do tabaco, assim como o consumo excessivo de gordura e de bebidas alcoólicas, o que significa que a ausência destes factores pode representar uma diminuição do risco muito embora uma dieta rica em antioxidantes ofereça alguma protecção, mesmo com a presença de factores de risco.

 

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Vandana Shiva: O sistema de capital, a ciência mecânicista e as consequências na alimentação e na saúde

Vandana Shiva alia a física quântica ao ativismo social para resistir pacificamente a um sistema que considera ter colonizado a terra, a vida e o espírito. Conta-nos como começou a defender a floresta, as sementes e os modos de vida e produção locais contra o controlo e o registo de patentes feitos pelas multinacionais.
A análise de Shiva vai mais além: remete-nos para as profundas implicações que o sistema capitalista patriarcal tem na construção de um mundo desigual, com consequências dramáticas, como a fome ou as alterações climáticas, que, para Shiva, são sintomas de implosão de uma civilização que falha material e espiritualmente. A nossa civilização, para sobreviver, terá de rever o seu modelo de compreensão e de interação com o mundo, tendo como exemplo o conhecimento holístico das civilizações chinesa e indiana, que, para Shiva, sobreviveram à História essencialmente porque diferem do Ocidente na relação que estabeleceram com a natureza.”

Porque a alimentação correcta é muito mais do que os alimentos que se ingerem.